Nas Pequisas

As concessões de exploração mineira, a pequenos proprietários, denominavam-se pesquisas. Estas proliferaram nas décadas de quarenta e cinquenta, servindo muitas delas para iludir o contrabando de volfrâmio e estanho. Veio a Guerra (2ª) " (...) Uns tantos coutos mineiros, que pseudo companhias mineiras registavam mas não exploravam, (...)"[1]
[1] Dias, engº.Lopes Dias

A Pesquisa das Courelas
 Se certo é o referido pelo Eng.º Lopes Dias, também é verdade que as houve legalizadas perante a Direcção Geral de Minas (ex.: Lomba Velha ou Cabeço da Ribeira; Cambões; Cova da Cruz; Torgais; Madurrada; ... todas da freguesia de Cebola), com trabalhadores, embora com uma organização de trabalho diferente do gigante, no nosso caso concreto, que tinham ao lado – As minas da Panasqueira (Beralt Tin & Wolfram, Limited). Situação esta plasmada na Pesquisa [1]que nos serviu de exemplo, a das Courelas[2], e que se manteve activa até finais da década de sessenta inícios da de setenta. Laborou sempre com maioria de mão-de-obra feminina.




 
Modo de exploração

A exploração mineira era feita de forma mista, ou seja a céu aberto e por mina.
No corte, a céu aberto, a terra era cavada e as pedras minadas e massadas. Quando eram muito grandes tinham que ser rebentadas com fogo (pólvora).
[.1]
Na mina iam cavar e buscar terra, transportada à cabeça, dentro de um masseiro e despejada nas "barredouras"  para ser lavada.
A mina era escorada por quem sabia, um trabalho sempre e só feito por homens. Como a mina era de terra mole não se podia utilizar a técnica de rebentamento pelo fogo.
Também aqui e, à semelhança do que aconteceu anos antes nas Minas da Panasqueira, quando os Engenheiros vinham para a fiscalização, havia a ordem, religiosamente cumprida, de: "As mulheres que estavam dentro da mina não saírem e as que estavam para ir não entrarem."
[3]
[1]
Tinha a concessão das ribeiras e serras inseridas nos limites da sede de freguesia
[2]
Não era este o nome real.
[3]
Cassete nº ..
Processo de lavagem
Numa primeira fase, a água era desviada da ribeira por meio de rego para a regadia[1] e, por sistema de tapadouro[2], encaminhada para a zona de lavagem das terras.
Numa segunda fase,  a água era trazida directamente da ribeira para a zona de lavagem, por meio de motor.
A Zona de Lavagem[3]: constituído por um conjunto de calheiros ligados uns aos outros por um sistema de regos, por onde passava a água que, por efeito da gravidade, ia passando de calheiro para calheiro.
 

A cada calheiro correspondia um posto de trabalho.
 

A Zona de Lavagem era constantemente mudada consoante o monte de terra(a barredoura) para lavar ou já lavada.
Depois da terra lavada e do minério depositado no fundo do calheiro, procedia-se ao apuro[4].
Apurar o minério é proceder à sua separação consoante as diferentes qualidades do minério: a pirite(pirita), o volfrâmio, o estanho e às vezes acontecia encontrarem ouro., "eram assim pepitas do tamanho de uma unha."
Apurado o mineral procedia-se à secagem.
Depois de separados e secos os diferentes minérios eram levados para as separadoras[5] existentes na região

[1] Servia para levar água para o serviço da agricultura[2] Explicar o esquema[3] Ver fotografia pag[4] Ver fotografia pag.[5] Locais onde se procedia à trituração, ensacamento e venda dos diversos tipos de minério.

Ambiente de Trabalho
As informantes têm boas recordações da pesquisa, das companheiras e do patrão. Este sempre as tratou com respeito e consideração. 

Defendi-as da “voz” do povo.
No Povo, falava-se das obreiras da Pesquisa. 

Uns porque elas se fartavam de cantar e, só davam prejuízo ao patrão; outros porque não tinham cuidado,  porque  lhes conheciam a cor das cuecas.
Para defesa do bom-nome das obreiras e para as proteger dos olhos maldosos, o patrão mandou construir uma "casa de banho" e comprou-lhes umas calças amarelas
[1], com a recomendação de as usarem só durante o horário de trabalho e por baixo das saias.[1] O dia que o patrão lhes entregou as calças, foi um delírio na Pesquisa. Ficaram tão contentes que, nesse dia, até à bola jogaram.


Condições de trabalho
O trabalho era feito ao ar livre e as trabalhadoras sujeitas às condições climatéricas.
No verão o calor era tanto que enchiam as botas de borracha com água fria para arrefecer os pés, porque para andarem descalças as pedras e o cascalho escaldavam-lhes os pés.
No Inverno, era o frio. Quando remexiam a terra com as mãos, formavam-se estalactites de gelo nos dedos, era necessário arranca-las com os dentes para poderem continuar o trabalho.
No dizer da Ti Florinda "às 9 (?????) horas quando tomávamos a "dejua"
[1], não sentíamos os pés, a gente em vez de comer íamos para o cemitério e de lá de cima deitávamo-nos a correr por aquele estendedouro abaixo para recobrarmos os pés, não se aguentava o frio..."[2]

[1] Pequeno almoço. Para algumas seria a merenda a meio da manhã, para a maioria a primeira comida do dia[2] Cassete nº

Horários de trabalho:
Trabalhavam de sol a sol. No Inverno tinham uma hora para o almoço. No verão, por causa do calor, a hora de almoço era de duas horas


Salários
Ganhavam, a princípio, 15$00. Quando foram inscritas na Caixa
, foi-lhes descontado 1$00, passando a ganhar 14$00 por dia.
O salário dependia dos dias de trabalho que faziam. O Domingo – dia de descanso semanal – não era pago.


Instalações da pesquisa"A casa de banho" – casota onde estavam quatro tábuas em cima de uma poça.
Casota/Barraca - sítio onde eram guardadas as ferramentas, as carquejas, para secar o minério e porto de abrigo das obreiras quando chovia muito.



Categorias Profissionais
Não existiam categorias profissionais, todas faziam tudo.
Todas eram "obreiras".
Iam às carquejas para secar o minério.
Preparavam o fogo para rebentar com as fragas.
Acarretavam terra dos cortes para a zona de lavagem e despejada nas barredouras.
Iam à água à Fonte.
Limpavam o chupão (cano de aspiração da água da ribeira para a regueira)
Espadejavam ( tirar, com uma pá, as pedras dos regos que ligavam os calheiros).
Secavam o minério.
Na Lavagem [.1] é que havia mais cuidado na selecção das obreiras.
Só desempenhava a tarefa de lavagem as mais cuidadosas na joeira da terra. Esse "cuidado" era aferido pela quantidade de volfrâmio ou estanho encontrado, aquando da repescagem dos limpos o “desperdício do mineral” não fosse muito ou até mesmo nulo
[.1] Havia quem, na fase anterior ao apuro, lavasse, pela última, o conteúdo das joeiras

Instrumentos de Trabalho Utilizados nas Pesquisas:
Masseiros,
Rodos[1]
Bacias,
Rapadouras[2],
Caleiros,
Joeiras,
Sacholas,
Cordas do mato,
Roçadoura

[1] Cabo encaixado num trapézio de madeira, com o qual fazia um ângulo de 90ª e que servia para remexer a terra. Como a terras e o cascalho eram mais leves que o volfrâmis, estanho, pirite, eram arrastados pela água, enquanto os diversos minerais ficavam depositados no fundo da joeira.[2] Feitio trapézio, enrolado numa das extremidades, servindo de pega. A rapadoura era utilizada numa fase final da lavagem, por esta requerer um trabalho mais aturado. Servia também para arrastar a terra para dentro da bacia, quando se utilizava este processo – pricipalmente na ribeira.VER fotog.pag.XXXXXXXXX